Escrivaninha 32

Penso, logo escrevo

Palavras

Publicado por JC sob em 23:40

Dissera-me que palavras apenas não bastam, e não bastam. Um dia elas falharam. Talvez por força dos ventos que as levaram para debaixo do oceano, trancafiando-as numa garrafa de vidro tão espessa quando a distância entre o mar e as montanhas; ou por insistência do tempo, que as apagaram sem deixar vestígios. Ou quem sabe dos dois.

Era preciso algo mais. A brisa ventou, o tempo passou e palavras não foram suficientes. Eram lindas, não nego. Pintadas com o mais delicado dos pincéis. Ditas no tom certo, nos momentos certos. Ainda assim continuavam sendo essencialmente palavras, apenas isso, palavras.

Prometera-me mudanças, escolhas e atitudes. Prometera-me o andar de mãos dadas, prometera-me uma velhice a dois. Não posso acreditar sem correr o risco de muito me entregar e, de súbito, tudo acabar como antes, em palavras.

Não me eximo da responsabilidade. Eu mergulhei, quebrei a garrafa, voltei no tempo e mais uma vez pronunciei as palavras, fazendo-te sonhar, suspirar, radiar. Assim sendo, culpe-me quando desejar. Cobre-me quando quiser.

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