Escrivaninha 32

Penso, logo escrevo

Manual do Poeta

Publicado por JC sob em 08:22

Poema não tem que rimar coisa nenhuma.
Se rimar é bom, fica aquela coisa cadenciada, melodiosa,
mas as rimas limitam o engenho dos menos engenhosos.
Então, se não rimar não há problema.
Escreva do seu jeito.

Versos nem muito pequenos, nem muito grandes,
coloque umas palavras difíceis,
não muitas, guarde algumas para os que ainda escreverá.
Sim, pois um poeta não pode ter apenas um ou outro poema.
Dá a impressão de ser mera dor de cotovelo ou apaixonite aguda.

O tema é um simples detalhe.
Comece falando de amor
e termine falando de pipoca, não importa.
Porém, nunca se esqueça disso meu caro (ou minha cara),
poema que se preze não pode fazer sentido,
ou melhor, não pode ter apenas um sentido,
ou se tiver, tem que ser o mais tácito possível.
Poema tem que ser difícil de entender
e ao mesmo tempo arrancar suspiros e exclamações do tipo:
"Puts, por que não pensei nisso antes!"

Agora coloque um título,
mas não um título qualquer,
afinal de contas é um poema.
Abuse das antíteses e pleonasmos.
"Loucura insana";
"Alegria melancólica";
"Sol da meia-noite";
"Fogo ardente";
“Paraíso infernal”;
e pronto, eis em mãos o seu poema.

E nem precisa revisar muito,
Trovadores não cometem erros gramaticais,
apenas exploram a liberdade poética.

Só vai ficar faltando a poesia,
mas isso se adquire com o tempo...

...eu acho.

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