Escrivaninha 32

Penso, logo escrevo

Escolher ou ser escolhido?

Publicado por JC sob em 11:14
 
É simples assim. Segundos após segundos, horas após horas, dias após dias, vidas após vidas. A diferença é que para alguns esse ciclo torna-se vicioso, monótono, fúnebre, tão pálido que as cores parecem nunca brotar... e não brotam. Cores são percepções visuais, noutras palavras, elas já estão lá, sempre estiveram, só que nem todos as percebem, ao menos não do mesmo jeito ou com a mesma intensidade. Por isso o sol, apenas para exemplificar, parece brilhar mais para uns do que para outros, quando na verdade ele é o mesmo para todos, as pessoas é que teimam em tentar apagá-lo. Alguns são tão persistentes que conseguem. Para estes, o mundo frio e monocromático parece tão pequeno que se torna impossível se esconder, ao mesmo tempo em que é grande o suficiente para criar labirintos de dificuldades. Então, como se o surgimento de soluções fosse condicionado unicamente ao tempo, espera-se encontrar um guia, uma espécie de super-herói que conheça os atalhos para a solução dos até então insolúveis problemas. Infelizmente, ou felizmente para os mais radicais, os finais felizes não são mais inevitáveis. Nem mesmo nos filmes, outrora tão criticados pela previsibilidade de seu fim.

Também não pense que protagonizar finais felizes é questão de sorte, viver não é tão aleatório quanto jogar dados. As conseqüências são fruto de nossas escolhas, não da conspiração dos astros, da posse de um trevo de quatro folhas ou do passar por de baixo de uma escada. Mesmo não fazer escolhas e permitir-se levar por escolhas alheias não deixa de ser uma. Não há como fugir da responsabilidade e pôr culpa no destino. É bem verdade que riscos existem, mas existem justamente para abrilhantar a magnitude das escolhas. Quer manifestação mais intensa de poder do que o poder de fazer escolhas? Quanto maior a conseqüência, maior o poder. Você pode questionar que a tristeza, por exemplo, raramente é escolhida como sentimento presente e não por isso é evitada. Afinal de contas estar triste é sinônimo de sofrimento e são poucos os que gostam de sofrer.  No entanto, lembro-te, a tristeza, bem como a maioria dos sentimentos, é conseqüência de escolhas outrora feitas, é um resultado, não só a tristeza como também o ciclo vicioso ao qual me referi no início desta prosa.

Talvez o maior passo da humanidade não tenha sido a roda, o fogo, a energia elétrica ou qualquer tipo de invento, mas a ciência de que o homem é capaz de escolher seu próprio destino, de fazer sua própria história, de perceber todas as cores, de acender o sol para tomar café da manhã, de ser feliz mesmo que o mundo em coro diga não, enfim, de fazer escolhas e não simplesmente ser escolhido. No final das contas a vida nem é tão curta assim, nós é que demoramos tempo demais para aprender a viver.

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