Escrivaninha 32

Penso, logo escrevo

Amante

Publicado por JC sob em 18:57

—Amor?

—Oi.

— Pega uma cerveja super gelada lá no freezer pra mim?

— Aqui!

— Eu já disse, se pegar no meio congela. Pega outra lá...

— Aqui!

— Isso, é assim que se pega.

— Amor?

Quié?

— Tenho um amante. Saio com um cara há dois meses.

— Por que está me contando isso agora?

— Achei que você deveria saber.

— Pronto, já sei. Agora me deixe ver o jogo.

— Não vai fazer nada?

‘To ocupado.

— Depois de vinte anos de casado esperava outra reação sua.

— Depois de vinte anos de casado não esperava ser traído.

— É que...

— Não precisa se explicar. Sei que vai dizer que não te levo mais pra jantar, que não decoro mais poemas para dizer-lhe ao pé do ouvido, que não abro mais a porta do carro, que não lhe dou mais flores, que não faço mais sexo como antes e blá, blá, blá...

— Você fala como se nossos vinte anos de casados não fossem nada. Minha mãe estava certa.

— Aonde você vai?

— Vou me encontrar com ele.

— Vai demorar?

— Sim.

— Então pega mais uma cerveja pra mim?

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