Escrivaninha 32

Penso, logo escrevo

Derradeira

Publicado por JC sob em 16:31

Ela era tão romântica. Do tipo que desenha coraçõezinhos no caderno e escreve cartas de amor mesmo não tendo amor algum. Afinal, nunca se sabe quando se terá um. Por via das dúvidas já as deixavam prontas. Tinha um diário com o qual se confessava todos os dias. Vez ou outra se esquecia de narrar suas aventuras e desventuras juvenis, mas era a exceção.

Sexo só depois do casamento. Ficaria imaculada até a noite de núpcias. Ademais, não gostava da ideia de se integrar ao primeiro namorico. Queria que fosse com alguém especial. Com alguém com que fosse passar o resto de sua vida e não havia ninguém que a fizesse mudar de opinião.

Filhos? Uns quatro. Dois meninos e duas meninas. Adorava crianças, assim como o ambiente doméstico e todas as atividades dignas de uma dona de casa. Passar, cozinhar, lavar, arrumar. Fazia de tudo, mesmo tendo apenas quinze anos.

Infelizmente morrera no século passado. Antes do advento da camisinha de látex, das telenovelas e da popularização das máquinas de lavar. Desde então, nunca mais se vira outra igual.

2 comentários:

Rubens disse... @ 24 de maio de 2009 11:31

É com certeza esse tipo de mulher está bem dificil nos dias de hoje com as novelas e os meios de comunicação mostrando adolecentes beijando na boca as 5 da tarde.

BLOGdoRUBINHO
www.blogdorubinho.cjb.net

Lalinha Marinho disse... @ 4 de junho de 2009 12:48

Bom, em partes essa mulher não existe mesmo hoje em dia, com tantas qualidades...
Existem aquelas que gosta de ser dona de casa, mas acha besteira essa coisa de sexo depois do casamento e existe aquela que acha que sexo é só depois do casamento, mas não gosta de exercer as tarefas domésticas.
É algo muito complicado, vocês homens tetem o milagre de reunir tudo em apenas um ser, do jeito que o mundo está hoje se vocês conseguirem... parabéns!
Adorei esse texto.

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