Escrivaninha 32

Penso, logo escrevo

O que será que será?

Publicado por JC sob em 00:04

2691050 "Bom, em primeiro lugar gostaria de agradecer ao João por disponibilizar o seu blog para que eu poste meus devaneios pra lá de absortos e deixar claro, de uma vez por todas, que apesar de ser apenas uma personagem, eu, o Tolo, e o João, o dono do blog, temos pensamentos díspares, anseios diferentes e vemos as coisas através de miragens ligeiramente distintas. Porém, não nego que concordamos em alguns aspectos, até porque, há de se haver algo de comum entre criador e criatura. Feita a mesura ao João e aclarada nossa disparidade, dou seguimento aos meus enleios, tão abstratos como aquele que vos escreve...

Cheguei a pensar que fosse coisa de momento. Que não mais voltaria a escrever. Talvez seja, quiçá, mas sinto uma necessidade mórbida em fazê-lo novamente.

Quem sabe um dia eu não ria disso tudo? Do quão tolo ou do quão genial (por que não?) eu fui. Também pouco importa qual fim terá meus escritos ou se de alguma maneira eles virão a ter alguma serventia. O que de fato influi é que, inexplicavelmente, sinto-me ligeiramente mais motivado a continuar vivendo ao escrevê-los. Sim, personagem também tem vida, às vezes mais de uma por sinal!

Tenho passado horas pensando no que farei no dia seguinte, planejando meticulosamente o que falarei, para quem falarei, como agirei e as conseqüências que minhas ações possam acarretar. Passo tanto tempo arquitetando o próximo passo que por vezes demoro mais tempo delineando-os do que os fazendo. De fato, a espontaneidade é algo que muito me carece. Tenho inveja de quem faz o que quer na hora que bem entende e pouco se importa com as conseqüências de suas ações. Queria ser assim. O que me conforta, minimamente que seja, é saber que existem muitos fulanos aí, no tal 'mundo real', que passam pelo mesmo infortúnio.

Não, não adianta. Não consigo tratar os sentimentos alheios como se nada significasse para mim. Tenho medo de decepcionar o outro, de criar falsas expectativas, de despertar em alguém algo que não estarei apto a responder a altura. Já passei por isso uma vez e não gostaria que tal fato se reincidisse. Sem mais eufemismos, tenho medo do amor. O que foi? Personagens também amam, e como amam...

Soa paradoxal até, mas é a pura verdade. Não falo daquele amor mitológico que só as personagens dos mais belos contos de fadas são capazes de sentir (eu não faço parte nem de um conto, quanto mais de fadas). Falo do gostar demais. Do pensar a todo instante. Do querer sempre estar por perto. Aquele sentimento que alonga as horas quando estamos longe de quem amamos e encurta os minutos quando o ser amado está ao nosso alcance. Eu costumo chamar de amor, mas se você, caro leitor, tem outra definição mais amoldada, sinta-se à vontade para usá-la e desusá-la. Sou apenas fragmentos de idéias.

Se é amor, se é paixão, um apetecer em demasia ou um anseio passageiro, não vem ao caso. O que de fato o torna relevante é a capacidade de me fazer agir tão tolamente e falar coisas igualmente parvas de 151138forma impensável em tempos remotos. Talvez seja essa a razão de meu pseudônimo.

Não quero prosar com um psicanalista, mas sim com gente como a gente. Na falta desse alguém, só me resta pensar...
E pensar...
E pensar...
E pensar...

Até a noite cair e tentar ser feliz ao menos em meus sonhos. Embora até isso me pareça cada vez mais difícil. Personagens também têm pesadelos..."

Devaneios: fantasias, sonhos, idealismos;
Absortos: abstratos
Díspares: diferentes, dessemelhantes;
Anseios: desejos, ambições, aspirações;
Aclarada: esclarecida, explicada;
Disparidade: desigualdades, distinções, diferenças;
Enleios: pensamentos, abstrações, devaneios;
Quiçá: talvez, quem sabe;
Mórbida: doentia;
Influi: importa;
Eufemismos: rodeios, circunlóquios;
Paradoxal: contrastante;
Apetecer: desejar, cobiçar, querer;
Amoldada: apropriada


9 comentários:

By melrym disse... @ 14 de novembro de 2008 00:33

( respondendo o comentario no meu blog)

eu tenho amigos ateus, inclusive um que faz história na UFMG, mas sab eu tava falando com ele estes dias, poxa tem que existir alguem que criou tudo...ou alguma coisas que criou...
respeito d+ esse amigo meu, pq ele num de "certa forma" alienado por tantas igrejas e religioes, eu num sou ateia e pra ser sincera nem ligo pra religiao, apenas acredito que alguem criou tud e este é o meu pai do texto...

adorei sua visita.. gosto e pessoas sinceras.. e adora discutir assuntos polemicos..
his

bjao volte sempre hein!
http://melrym.blogspot.com/

30 e poucos anos. disse... @ 14 de novembro de 2008 10:44

O mais importante em nossa vida é assumir com coragem o nosso verdadeiro EU interior sem medo do que possa causar no outro.

CIA disse... @ 14 de novembro de 2008 10:54

Concordo com o comentario de cima!!!
Totalmente certu e apoiado!!
otimo texto..
abçs

Anne in the sky disse... @ 14 de novembro de 2008 12:50

Olá!
O texto foi escrito daquela forma propositalmente... como se uma linha fosse continuidade da outra, pq a cada ano nada daquilo se exclui. Tudo se repete, as mesmas coisas, os mesmos detalhes.
Quis que o texto se parecesse com uma historinha maçante que vc está cansado de contar.
Mas obrigada pelo elogio e pelas dicas! =)
Beijos

Kacau disse... @ 14 de novembro de 2008 14:57

otimo pensei que era uma das poucas pessoas que pensavam assim mas me surpreendo a cada vez que passo por essas comunidades, temos pesadelos sim pq não? fico me perguntando dessa necessidade de escrever e se expor, vou ficar aqui analisando e falando cada paragráfo que me chamou a atenção.

http://messnatural.blogspot.com/

Depressive disse... @ 14 de novembro de 2008 15:00

Pedi para fazer um comentário sobre a qualidade do texto e não para você me dar conselhos. Até porque você dando conselhos é uma verdadeira merda. Se não tem como ajudar fique calado ao inves de falar merda porque merda fede.

Tony Prado disse... @ 14 de novembro de 2008 15:36

Tolo, quero que saiba que eu também tenho um alter-ego. E eu o adoro! Assim como esse seu devaneio... ^^

Giovana disse... @ 15 de novembro de 2008 23:46

"But the fool on the hill
Sees the sun going down
And the eyes in his head
Sees the world spinnin' round"

The Fool on The Hill
The Beatles

Lea disse... @ 20 de dezembro de 2008 21:33

gostei muito, é estranho mas...faço minha as suas palavras...

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