Escrivaninha 32

Penso, logo escrevo

Uma verdade inconveniente

Publicado por JC sob em 16:10

Quando as pessoas são importantes elas fazem falta para sempre.

Quando criança

Publicado por JC sob , em 10:37

Bom mesmo era ser criança arteira
quando o amor era brincadeira
e a dor do desamor passageira.



Os Outros
(Leoni)
 



"Já conheci muita gente
Gostei de alguns garotos
Mas depois de você
Os outros são os outros

Ninguém pode acreditar
Na gente separado
Eu tenho mil amigos mas você foi
O meu melhor namorado

Procuro evitar comparações
Entre flores e declarações
Eu tento te esquecer
A minha vida continua
Mas é certo que eu seria sempre sua
Quem pode me entender
Depois de você, os outros são os outros e só

São tantas noites em restaurantes
Amores sem ciúmes
Eu sei bem mais do que antes
Sobre mãos, bocas e perfumes
Eu não consigo achar normal
Meninas do seu lado
Eu sei que não merecem mais que um cinema
Com meu melhor namorado [...]"

Intermitência

Publicado por JC sob em 20:57

As moscas piraram.
Miraram o ócio e se atiraram,
pensaram, talvez, que nada mais aconteceria,
os corpos também.

Os corpos pareciam adormecidos
talvez para sempre, ninguém sabia,
nem mesmo a platéia que
assistia ao princípio, ao meio e às moscas piradas.

Nos corpos estirados sem cor e movimento
havia dor, rancor e orgulho, já as moscas
e os demais desinformados
pouco sabiam o que sucedia.

Era uma história muito bonita, diziam,
embebida de romance, drama, suspense – porque terror ela não assistia – aventura e comédia.
Sim comédia! Pois apesar dos semblantes pálidos
um dia, quem diria, houve cor e muito riso.

Ele escrevia, ela lia e os dois se amavam
como se fossem os corpos mais importantes
não só do mundo, como dos contos também.

Escrevia, porque sem tempo ele parou de escrever.
Lia, porque sem os escritos ela parou de ler.
Amavam-se, porque sem história não se amaram mais,
ao menos não como antes, o que os levou a sucumbir.

As moscas, coitadas, se enganaram.

A atenta platéia viu os corpos se mexerem.
Olhos vidrados, bocas abertas, mãos transpirando.

Ele segurou a mão da moça, ajudando-a a levantar,
sussurrou algo em seu ouvido,
baixo o bastante para nenhuma mosca ouvir,
e a fez voltar a brilhar.

Não teve beijo, nem mesmo abraço
Mas os corpos, antes inertes, começaram a caminhar.

Ele voltou a escrever...






... mas ela não quis voltar a ler.

Desculpas

Publicado por JC sob em 17:57

Pedir desculpas não é tão difícil assim, até porque, no final das contas, ainda nos saímos como uma pessoa que sabe repensar suas atitudes, seus conceitos, que sabe reconsiderar e voltar atrás mediante um erro cometido. Eu diria que um pedido de desculpas bem formulado nos enobrece, mais até do que se não tivéssemos falhado na atitude que o originou.

O mais difícil é se convencer do próprio erro. Há quem abra mão da razão e, embora a tendo ao seu lado, pede desculpas para minimizar o atrito cuja culpa não lhe pertence. Mas também existem os que não querem e nem vão inverter a ordem das coisas, deixando o pedido de desculpas a quem lhe é dever.

Brigar faz parte...ou não!

Publicado por JC sob em 17:48

Brigas não têm que fazer parte, embora quase sempre façam.

Vejo-as como um sinal de que algo não está do jeito que deveria estar, ou do jeito confortável que costumava estar. Brigar não é uma condição inevitável, inerente a toda e qualquer relação, ao menos não deveria ser assim. Não consigo entender como pessoas racionais conseguem ver os conflitos com total descaso, como se pelo fato deles sempre outrora terem acontecidos, irão continuar acontecendo indefinidamente, ou até que não sejam mais toleráveis.

Brigar é como sentir dor. A dor é um fantástico mecanismo de defesa que, através de uma experiência sensorial e/ou emocional desagradável, alarma potencial ou real lesão. Logo, a dor é um indicador de que o equilíbrio foi rompido, de que algo está errado, de que nem tudo está bem. Assim são as brigas que costumamos ver como mais um evento cotidiano sem nos dar conta de que algo possa realmente estar errado. Até que, com o tempo, brigar vira hábito, o hábito vira vício e o vício corrói tudo de bom que um dia existiu.


Erro viciante

Publicado por JC sob em 17:46
A essa altura eu diria que não adianta muito saber o jeito certo. É difícil acertar quando errar torna-se um vício. Primeiro a gente erra por não saber o jeito certo. Depois erramos porque aprendemos a errar; até que esse ciclo fica tão ou mais viciante quanto estourar plástico bolha. Você conhece algo mais terapêutico, relaxante e viciante quanto estourar plástico bolha?

Que tal mudar?

Publicado por JC sob em 15:57


Que tal mudar? Ignorar todas as possíveis e prováveis discussões; todos os problemas; todos os assuntos complexos e ficar apenas com a parte simples da história. Vamos pegar nossos problemas e varrer para bem longe, ou mesmo para debaixo do tapete; o importante é torná-los invisíveis.

Vamos arredondar as arestas, deixar tudo ilusoriamente perfeito e fingir evitar o inevitável, fruto de todas as coisas não ditas, mas sentidas: o fim.

 

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