Escrivaninha 32

Penso, logo escrevo

Desculpas

Publicado por João Junio Filadelfo de Carvalho sob em 17:57

Pedir desculpas não é tão difícil assim, até porque, no final das contas, ainda nos saímos como uma pessoa que sabe repensar suas atitudes, seus conceitos, que sabe reconsiderar e voltar atrás mediante um erro cometido. Eu diria que um pedido de desculpas bem formulado nos enobrece, mais até do que se não tivéssemos falhado na atitude que o originou.

O mais difícil é se convencer do próprio erro. Há quem abra mão da razão e, embora a tendo ao seu lado, pede desculpas para minimizar o atrito cuja culpa não lhe pertence. Mas também existem os que não querem e nem vão inverter a ordem das coisas, deixando o pedido de desculpas a quem lhe é dever.

Brigar faz parte...ou não!

Publicado por João Junio Filadelfo de Carvalho sob em 17:48

Brigas não têm que fazer parte, embora quase sempre façam.

Vejo-as como um sinal de que algo não está do jeito que deveria estar, ou do jeito confortável que costumava estar. Brigar não é uma condição inevitável, inerente a toda e qualquer relação, ao menos não deveria ser assim. Não consigo entender como pessoas racionais conseguem ver os conflitos com total descaso, como se pelo fato deles sempre outrora terem acontecidos, irão continuar acontecendo indefinidamente, ou até que não sejam mais toleráveis.

Brigar é como sentir dor. A dor é um fantástico mecanismo de defesa que, através de uma experiência sensorial e/ou emocional desagradável, alarma potencial ou real lesão. Logo, a dor é um indicador de que o equilíbrio foi rompido, de que algo está errado, de que nem tudo está bem. Assim são as brigas que costumamos ver como mais um evento cotidiano sem nos dar conta de que algo possa realmente estar errado. Até que, com o tempo, brigar vira hábito, o hábito vira vício e o vício corrói tudo de bom que um dia existiu.


Erro viciante

Publicado por João Junio Filadelfo de Carvalho sob em 17:46
A essa altura eu diria que não adianta muito saber o jeito certo. É difícil acertar quando errar torna-se um vício. Primeiro a gente erra por não saber o jeito certo. Depois erramos porque aprendemos a errar; até que esse ciclo fica tão ou mais viciante quanto estourar plástico bolha. Você conhece algo mais terapêutico, relaxante e viciante quanto estourar plástico bolha?

Que tal mudar?

Publicado por João Junio Filadelfo de Carvalho sob em 15:57


Que tal mudar? Ignorar todas as possíveis e prováveis discussões; todos os problemas; todos os assuntos complexos e ficar apenas com a parte simples da história. Vamos pegar nossos problemas e varrer para bem longe, ou mesmo para debaixo do tapete; o importante é torná-los invisíveis.

Vamos arredondar as arestas, deixar tudo ilusoriamente perfeito e fingir evitar o inevitável, fruto de todas as coisas não ditas, mas sentidas: o fim.

Conflitos

Publicado por João Junio Filadelfo de Carvalho sob em 15:32

As brigas não têm que fazer parte, embora quase sempre façam.

Vejo-as como um sinal de que algo não está do jeito que deveria estar, ou do jeito confortável que costumava estar. Brigar não é uma condição inevitável, inerente a toda e qualquer relação, ao menos não deveria ser assim. Não consigo entender como pessoas racionais conseguem ver os conflitos com total descaso, como se pelo fato deles sempre outrora terem acontecidos, irão continuar acontecendo indefinidamente, ou até que não sejam mais toleráveis.

Brigar é como sentir dor. A dor é um fantástico mecanismo de defesa que, através de uma experiência sensorial e/ou emocional desagradável, alarma potencial ou real lesão. Logo, a dor é um indicador de que o equilíbrio foi rompido, de que algo está errado, de que nem tudo está bem. Assim são as brigas que costumamos ver como mais um evento cotidiano sem nos dar conta de que algo possa realmente estar errado. Até que, com o tempo, brigar vira hábito, o hábito vira vício e o vício corrói tudo de bom que um dia existiu.

Metamorfose

Publicado por João Junio Filadelfo de Carvalho sob , em 21:24

Ela resolveu passear, dar uma volta. Não sabia aonde ia nem quando iria voltar, só queria ir para algum lugar. Conhecer um pouco do mundo, um pouco do amor, um pouco da dor, um pouco de tudo. Juntou suas coisas, colocou tudo o que tinha aprendido numa mochila, listou em um pedaço de papel o que queria vivenciar e lá se foi sem olhar para trás. Ela queria um pouco de respostas e uma pitada de histórias para contar quando então retornasse.

Ela se foi. Chegando lá, encontrou velhas lembranças do tempo que ainda era criança e achava que sabia amar. Talvez soubesse, mas não do jeito que estava prestes a aprender. Ela riu, chorou, sentiu, aprendeu, errou, experimentou, quase pirou, floresceu, desamou, amou. Ela cresceu. Viveu em dias o que não viveu em anos. Era um lugar diferente, eram pessoas diferentes, histórias diferentes. Cada dia era uma nova enxurrada de sentimentos e sensações. Ela fez jus à ocasião, viveu tão intensamente quanto poderia suportar. Como conseqüência, os paradigmas que trouxera na mochila não tinham mais a influência de antes, se é que influência tinham. A festa acabou, todos foram embora e a deixaram a mercê da nostalgia. A saudade então bateu à porta e ela decidiu retornar.

Ela voltou. Fez o mesmo caminho de quando partiu. Estava um pouco diferente, é verdade, mas ela conseguiu não se perder e ao seu destino chegar. As pessoas também estavam diferentes, tal como as ruas, e as árvores e as casas. Até o cheiro de terra molhada não tinha mais a mesma fragrância. Os cômodos de sua casa estavam todos embaralhados. Alguns rostos ela não conseguia reconhecer, enquanto de outros vagamente se lembrava. Os lugares que antes costumava frequentar não tinham a atmosfera de outrora. Eram todos estranhos, salvo pequenas exceções.

Ela desesperadamente abriu sua mochila na esperança de encontrar lembranças anteriores a sua partida, alguma antiga verdade que explicasse o porquê de tanta mudança. Ao abri-la tudo o que achou foi um antigo estojo de maquiagem. Maquiagem não mais havia, apenas um pequeno espelho que compunha o já gasto item. Ela o pegou e, frustrada por tão pouco ter encontrado, o aproximou lentamente de seu rosto de forma a enxergar o fundo de seus límpidos olhos azuis. Em seguida veio a compreensão de que tudo estava perfeitamente igual ao dia de sua partida. As ruas eram as mesmas, os lugares eram os mesmos, os rostos eram os mesmos; ela é que havia mudado, mais por dentro do que por fora. Não trouxera apenas respostas e histórias para contar, mas uma nova percepção que refletia nos seus olhos a razão de tanta mudança.

Imperativo mais-que-perfeito

Publicado por João Junio Filadelfo de Carvalho sob em 10:13

Não explique, sinta, provoque
saia, respire, invente
não olhe, contemple.
Aventure, não omita, declare
não beije, antes fale:
— Eu quero você!
Transpire, toque, se aproxime
de vagar, sem pressa, no ouvido, sussurre:
— Você quer meu querer?
Não espere, arrisque, faça!

Se as luzes ofuscarem
a sensibilidade d’alma
não espere anoitecer
apague, se entregue e viva.

 

Quem sou eu

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Graduando em Administração, atleta de final de semana, viciado em biscoito recheado, rato de praia, patriota, observador de formigas, ex-funcionário público, cidadão cabista, estagiário, flamenguista, megalomaníaco, louco por dentro e pequeno por fora.

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